A comunidade de Sobradinho avança rumo a uma nova fase de habitação popular: o projeto urbanístico batizado de Residencial Sobradinho, aprovado recentemente pelo Conselho de Planejamento Territorial e Urbano do Distrito Federal (Conplan), integrará a promoção de moradia digna para milhares de famílias no Distrito Federal. Segundo anúncio oficial, a área tem capacidade para receber cerca de 13.617 moradores.
A área total do parcelamento soma aproximadamente 978.932,66 m², o equivalente a quase 138 campos de futebol.
Serão estruturados 834 lotes, sendo que 729 deles são voltados para uso residencial unifamiliar de interesse social, sob responsabilidade da Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab).
Os lotes restantes darão lugar a usos comerciais, institucionais e de prestação de serviços, reforçando o caráter multifuncional do empreendimento.
Cerca de 47,83% da área — aproximadamente 465.078,01 m² — estão reservados para áreas públicas, como espaços livres de uso público (ELUP), praças, parques e equipamentos comunitários, promovendo qualidade de vida aos futuros moradores.
Para a comunidade local, especialmente de Sobradinho II, o novo residencial representa a conquista de uma luta de mais de 10 anos liderada pelo Movimento dos Inquilinos de Sobradinho. A diretora da associação, Simone Magalhães, que acompanhou a reunião do Conplan, comemorou:
“Criar áreas para população de baixa renda não é fácil. É uma luta de muito tempo, e hoje foi uma missão cumprida. Sabemos que várias famílias de baixa renda, que realmente necessitam, serão beneficiadas.”
O presidente do Instituto Brasília Ambiental (Ibram) e relator do projeto, Rôney Nemer, também destacou o impacto social da medida:
“Eles são filhos de lá, viam aquela terra e queriam que aquilo fosse para eles morarem, para não ficar no aluguel, para saírem da invasão, da área irregular – e o governador entendeu isso.”
A conselheira Ivelize Longhi, representante do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico do DF (Codese), reforçou a importância da aprovação:
“É motivo de alegria ver que os programas de habitação social continuam sendo feitos, e hoje se oferece mais uma área, num local extremamente propício, para atender aqueles que realmente mais precisam.”
O projeto do Residencial Sobradinho foi precedido por todos os estudos necessários — urbanísticos, ambientais e viários — além de consultas às concessionárias de serviços públicos. Isso assegura que o parcelamento será implantado de forma segura, planejada e sustentável.
Os próximos passos incluem:
Apresentação do projeto urbanístico executivo pela Terracap;
Análise da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh);
Aprovação por decreto e publicação no Diário Oficial do DF (DODF);
A partir disso, a Terracap terá 180 dias para solicitar a licença urbanística e registrar o projeto em cartório.
O Residencial Sobradinho é mais do que um conjunto de lotes: é a materialização de anos de mobilização e reivindicação por moradia digna. A criação de espaços públicos integrados, áreas de lazer, e a oferta de usos mistos dentro do parcelamento demonstram o compromisso com um urbanismo mais humano, funcional e acessível.
Mais do que ocupar um espaço físico, as famílias beneficiadas passam a ocupar um espaço legítimo dentro da cidade — com estrutura, direitos e pertencimento.